"Carnudas"
Já mais de uma vez foi usada neste blog (com um sentido muito peculiar) a expressão “carnuda”. Chegou o momento de contar a história por detrás deste termo.
Por vezes, no coração da noite penicheira, fazem-se certas propostas que (pelo grau de dificuldade e de improbabilidade...) quando realmente se concretizam, assumem o carácter de uma autêntica façanha. No nosso caso, o desafio lançado (já por volta das duas e depois de vários litros de droguinha) foi o seguinte: «e se amanhã fossemos de manhã cedo para a praia?».
Todos responderam que sim, mas é difícil avaliar até que ponto realmente compreendessem a força de vontade que essa acção implicava. De facto, (algumas horas mais tarde) só três indivíduos daquele grupo alegre tiveram a coragem de levantar-se, ignorar a ressaca e encaminharem-se a pé para a praia. E é preciso dizer que dos três audazes madrugadores, dois deles só se levantaram porque aquele que tinha feito o convite os foi acordar a casa.
Quando finalmente chegámos a Peniche de cima (“chegámos”? Sim, eu era um deles...) encontrámos um espectáculo extraordinário:
A praia estava deserta...
O mar parecia uma piscina...
A temperatura da água fazia lembrar o Algarve...
O areal (enorme, devido à maré baixa) convidava-nos a uma saudável “corridinha” até ao Baleal e vir...
Era uma manhã de praia perfeita e todos nós sabíamos qual o modo melhor para aproveitá-la:
estendemos as nossas toalhas na areia e metemo-nos a dormir.
Depois de um par de horas de sono restaurador, abrimos os olhos. Começámos a conversar, mas nenhum de nós tinha muita vontade de se levantar, porque o peso da noite anterior ainda se fazia sentir. Foi nessa altura que vimos duas jovens que saiam de detrás das dunas e caminhavam em direcção ao mar, prontas para dar um mergulhinho. Eram duas irmãs que nós já conhecíamos mas nunca as tínhamos visto como naquela manhã. Talvez fosse o sono, ou a surpresa de vê-las ali, ou o facto da praia ainda estar deserta, mas capturaram totalmente a nossa atenção. Era difícil definir aquele tipo de beleza. Não eram esguias e magras como as modelos “Twiggy Lawson”, mas também não eram gordas, ou “fortes” e nem sequer atléticas.
Foi então que a veia poética de um dos três ensonados, cunhou o adjectivo que realmente definia o fascínio daquelas jovens.
«Épá! São mesmo... são mesmo... carnudas!»
A expressão fez sorrir e acabou por ficar para a história. A prova é que passados mais ou menos dez anos ainda a usamos, recordando sempre este episódio.
Eu estava lá e garanto-vos que este termo descrevia bem a realidade. É que eram mesmo “carnudas”.
(e desconfio que ainda são...)

1 Comments:
Se eram....
Assinado:
O homem que viu um peixe sem orelhas
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