O Tornado
«Totó? Acho que já não estamos no Kansas...»
(do livro O Mago de Oz)
Esta ninguém me contou.
Esta vi eu com os meus olhinhos.
E mesmo assim, ainda tenho dificuldade em acreditar: um tornado em Peniche?
Talvez tenha sido em 1995 (já não sei bem), mas lembro-me que era Verão e o pessoal estava em Peniche de Cima. Fazia calor mas o dia estava feio, com muitas nuvens. As pessoas estavam indecisas entre ficar na praia ou voltar para casa. De repente, começa a chover. O areal fica deserto num instante... porque as pessoas entraram todas dentro de água. Não há nada melhor que nadar à chuva...
Estamos nós dentro do mar quando começamos a ver no céu um fenómeno muito estranho. Um remoinho nas nuvens que se deslocava de detrás das dunas em direcção ao Baleal. Quando o vi pela primeira vez, a “tromba” não estava a tocar a terra, mas logo a seguir ganhou mais força e um pequeno ciclone de areia começou a subir na direcção do furacão. As duas pontas ligaram-se e ficámos com aquela imagem típica dos tornados que conhecíamos da televisão. Era um espectáculo impressionante. Parecia um filme. As pessoas estavam tão espantadas com o que viam que não me lembro de ver alguém assustado. Ficámos todos ali parados, de boca aberta, a ver o tornado passar. Junto com a areia que subia haviam também muitos detritos e julgo que algumas pranchas de surf também foram levadas. Mas o mais incrível foi quando o furacão entrou dentro do mar e começámos a ver que já não era a areia que subia, mas sim a própria água. Foi uma coisa incrível! O tornado prosseguiu o seu caminho em direcção ao Baleal, mas antes de lá chegar, foi perdendo força e a uma certa altura já só se viam as marcas de espiral que tinha deixado nas nuvens. Que eu saiba, nenhum jornal (nem mesmo local), rádio ou televisão falou deste episódio, mas nos dias seguintes as pessoas de Peniche foram partilhando os próprios testemunhos e assim, juntando os “pedaços”, fiquei a saber que tudo tinha começado no Porto da Areia (houve alguém que até caiu das rochas abaixo!). Passou pelo bairro do Visconde (onde atirou para o fundo da rua as cadeiras do café Santa Cruz) e passou pela casa da minha avó, que me disse: «Ai filho! Até pensei que fosse um terramoto quando vi as janelas e as portas a abanar daquela maneira!».
Ao que parece, (e esta é uma coisa curiosa) passou também pelos lados da igreja de S. Pedro, ficando a “rodopiar” (foi assim mesmo que me contaram) durante bastante tempo no adro da igreja.
Antes de terminar, deixo-vos este bonito testemunho de amor fraterno que ficou para a história: uma rapariga que estava ali em Peniche de Cima quando o furacão apareceu, queria a todos os custos agarrar na acelera, para ir até ao Baleal e avisar a irmã de que um tornado estava a ir para lá. O que lhe valeu foi um amigo que a chamou à razão dizendo: «se ele lá chegar, deixa estar que ela apercebe-se sozinha».

1 Comments:
Bom é só para dizer que essas irmãs ficaram conhecidas pelas "carnudas"... Mas isso só o teu mano pode explica!!!
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