sexta-feira, dezembro 23, 2005

Festa da boa Viagem

Dois jovens penichêres, já bem regadinhos com a maravilhosa droguinha da Taverna dos Mareantes, mais conhecida por "Manel das Escadinhas", resolveram num dos muitos dias da festa da Nossa Senhora da Boa Viagem ir dar um passeio à feira na esperança de conseguir diluir a vinhaça numa bela farturinha gordurenta e oleosa!!
Bom, será relevante dizer que eram quase três da matina e as barracas estavam todas fechadas então fomos contornando a feira até que de repente se fez luz ... uma barraca ainda apresentava alguns vestígios de vida e sim... era uma barraca de farturas.
As pupilas dilataram-se e provámos que o Pavlov tinha razão quando nos sentimos a salivar perante a possibilidade de poder satisfazer tão primária necessidade.
1º jovem -Está aberta!?
2º jovem - Acho que sim!?
Os passos apressaram-se e nem mesmo o forte vendaval (típico das noites de Verão) demoveu os jovens desta contenda.
Na barraca mãe e filha faziam as últimas arrumações e preparavam-se, quase de certeza, para o chichi cama.
1º jovem - Ainda vende farturas?
A proprietária olhou de soslaio, e respondeu afirmativamente com a cabeça sem soltar uma palavra.
2º jovem - Então queríamos duas se faz favor!!
A mulher olhou para a filha que arrumava, com o pouco vigor que lhe restava, a barraca das farturinhas gordurosas e oleosas e disse muito secamente ...
mãe - Vai buscar um saco!
a menina obedeceu cegamente às ordens da sua adrupta mãe.
mãe - Põe todas no saco!
Olharam um para o outro e os dois jovens, pressentindo o que lhes estava a acontecer, não conseguiram disfarçar um sorriso de vitória. Era óbvioi que aquelas farturas e churros deliciosos iam ser todos para eles.
E assim foi, pagaram o preço de duas farturas e levaram um saco com todas as farturas e churros que estavam na banca.

Óbvio que a estória é gira e tem um final caricato, mas a "pièce de resistance" ainda vem aí.
Desecendo a estrada que acompanha as muralhas do forte até à entrada do museu, os dois jovens começaram por comer os churros. Por entre trincadelas e gargalhadas os jovens não conseguiam conter o turbilhão de emoções que sentiam, ao viver uma comédia gastronómica como esta.
A coisa chegou ao ponto de dar uma trincadela numa fartura e o resto para o chão...
E o riso não parava. As convulsões do riso quase acabavam em vómitos, mas não chegou a tanto.
Fartos de rir e de comer resolveram atirar as farturas que sobravam dentro do saco para um caixote do lixo.
Movidos pela curiosidade voltaram dois passos atrás para contarem quantas farturas tinham posto no lixo.
Abriram a tampa e pegaram no saco e começaram a contar...
Vindo do nada apareceu uma velhota no meio do vazio pós festa e comenta com indignação.
- Que vergonha a tirarem comida do lixo para comer!!!!
Os jovens não conseguiram conter o riso e cairam ambos no chão com a euforia provocada pelo comentário da senhora.
Riram tanto que nem a viram desaparecer.

3 Comments:

Anonymous Rufy said...

Hmmm....
Acho que já ouvi essa história em qualquer lado!!!
=\

23/12/05 5:09 p.m.  
Anonymous C said...

(a idéia é essa mesmo: reunir as histórias que já ouvimos nalgum lado...)

"pièce de resistance"? Bonito pormenor!

24/12/05 8:38 p.m.  
Anonymous Rufy said...

É bem.. É bem!!
Estou a gostar...
Este blog ainda vai roubar a fama ao blog omnivore!!
Sim... é mesmo melhor começar a guardar todas as "façanhas", antes que aconteça o mesmo com vocês..
fiquem bem...
hasta***

24/12/05 9:26 p.m.  

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