Mirone: esse animal!
De todos os animais presentes na fauna penicheira um dos mais curiosos é sem dúvida o famoso “mirone”. O mirone é um mamífero, bípede e implume, muito semelhante ao comum ser humano mas que se distingue facilmente deste pela mão direita permanentemente enfiada no bolso das calças e o indispensável par de binóculos debaixo do braço. O habitat natural do mirone são as dunas de Peniche. Não é difícil nos meses quentes do ano avistar um mirone que se dirija fortuitamente para as dunas de Peniche de Cima, na esperança de conseguir encontrar alguma vítima para mirar. Mas o mirone é um ávido predador e normalmente o alvo mais cobiçado não são vítimas isoladas, mas sim, “casalinhos”.
A história que se segue conhece inúmeras versões, mas a mais frequente e difusa (e por isso, mais atendível) é aquela que identifica o mirone em causa com um velho da Prageira.
Numa tarde de praia espectacular, levantou-se da sua cadeira o bom velho mirone da Prageira (até rimou...) e disse para a mulher: «Vou dar um passeio a pé pela praia que é pra desmoer o almoço».
Mãozinha no bolso e binóculo debaixo do braço, lá foi ele andando pelas dunas, sorrateiro e cauteloso, à procura de diversão. E encontrou-a. Refugiados numa pequena depressão entre as dunas heis que um jovem casalinho aproveitava o abrigo natural para trocar intensas carícias apaixonadas.
«Que sorte!» pensou o velho. E rastejando pela areia escondeu-se atrás de uma duna a apreciar a acção de longe.
O “casalinho”, sem saber que era observado, continuava a curtir. Ela por cima e ele por baixo. Beijos, abraços, dentadas, e o mirone que de vez em quando murmurava para si: «Isso... apalpa bem esse cu!».
Isto já durava há um bom bocado (o mirone já suava por todos os lados) quando de repente os jovens resolvem mudar de posição: fica ela por baixo e ele por cima. E o mirone? Continua a sussurrar a sua lengalenga...
«Isto tá cada vez melhor! É agora que lhe vou ver as mamas! Isso mesmo rapaz! Não pares! Puxa-lhe os cabelos! Isso! Desabotoa-lhe o bikini! Uau! Chega-te um bocadinho pró lado que é para eu ver melhor! Isso! É assim mesmo! Continua! Contin...».
O mirone pára. Esfrega os olhos. Volta a espreitar pelos binóculos. Duvida de si mesmo. Não sabe o que fazer. A raiva não o deixa pensar com clareza.
Levanta-se de detrás da sua duna e grita para o rapaz:
«Ó meu cabrão! O que é que tu tás a fazer com a minha filha?»
Moral da história
A população de Peniche divide-se em dois grandes grupos: “os-que-já-curtiram-nas-dunas” e “os-que-hão-de-curtir-nas-dunas”. Portanto, se és um mirone, prepara-te, pois mais cedo ou mais tarde podes vir a encontrar enrolada na areia, a tua mãe, a tua irmã, ou a tua filha.

2 Comments:
Ia bem...........
Vai lá, vai!!
Essa foi boa...
Foi bem feito para o velho!!
Sem comentários mesmo...
Bem.. resta-me desejar um Feliz e Santo Natal a toda a gente!!
Mas... que venha mas é a Passagem de Ano...
fiquem bem...
hasta***
Então e as avós ... não???
Como é?
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