segunda-feira, outubro 09, 2006

Histórias de merda (Vol.1)

Tudo se passou num elegante café do Baleal, há muitos Verões atrás, quando o pessoal que lá trabalhava ainda era a inveja de todos os estabelecimentos comerciais do país (são tempos que com certeza já não voltam). Vá sublinhado também que esse café é reputado, pelo lendário capitão Jacques Cousteau como «a melhor esplanada do mundo para descansar e beber um panaché, depois de mais uma aventura entre corais, tubarões e garrafas de óleo boiando vazias nas ondas da manhã».

Um certo dia, os funcionários daquele estabelecimento foram confrontados com um desafio para o qual nem mesmo as longas horas de treino e formação exigidas no curriculum de um qualquer empregado de mesa os tinha preparado: a sanita da casa-de-banho estava entupida por um excremento que a julgar pelo tamanho e consistência teria sido obrado por um magnífico leão marinho depois de uma semana de prisão de ventre. Só mesmo uma obstipação de vários dias poderia justificar um cagalhão daquelas dimensões. Por mais que tirassem o autoclismo a retrete continuava entulhada pelo material fecal.

«Tenta esmigalhá-lo com o piaçá em vários bocados e pode ser que ele assim já passe» lembrou-se de sugerir alguém. Mas não havia nada a fazer. Por muito que empurrassem o cocó, ele continuava íntegro na sua forma cilíndrica.
«O que é que vamos fazer?» perguntavam-se ansiosamente os jovens funcionários.

Foi então que lá de fora, de um canto da esplanada, se ouviu uma voz segura e confiante a chamar: «Mademoiselle! Chegue aqui se faz favorrrrr...».
Uma das empregadas dirigiu-se à mesa onde estava sentado o distinto cliente e para seu espanto viu que era, nada mais, nada menos, que o famoso capitão Jacques Cousteau, que desembainhando do seu cinto uma enorme faca, disse à jovem: «experrrimente com esta. Nunca me deixou ficarrr mal e até já me salvou a vida várrrias vezes».
Com reverência e até algum temor a jovem pegou no enorme facalhão e dirigiu-se à casa-de-banho onde os seus colegas ainda tentavam arranjar uma solução àquele problema de merda.
Todos se afastaram quando viram chegar a moça de faca em riste.
Bastaram dois golpes certeiros e heis que a lâmina afiada já tinha cortado o cagalhão em três. Uma descarga do autoclismo e o problema estava resolvido.
Orgulhosa pela sua acção a jovem espadachim atravessou todo o café com a faca (manchada de glória) erguida bem alta na mão. Deu-lhe uma enxaguadela na pia da cozinha do café e devolveu-a ao proprietário com um sorriso e agradecendo:
«Merci!»
«De rien».

3 Comments:

Anonymous Carca said...

Isso é verdade?

12/10/06 12:30 a.m.  
Anonymous Carca said...

E já agora, há outra história de merda no omnivore, postada algures em Novembro de 2004...

12/10/06 12:33 a.m.  
Anonymous C said...

é tudo verdade. Até o Jacques Cousteau não foi (completamente) inventado...

12/10/06 12:23 p.m.  

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