segunda-feira, agosto 07, 2006

maravilhas do Porto da Areia

Quando o pessoalzinho (e dizendo “pessoalzinho” refiro-me a nós) era mais puto (e dizendo “puto” falo de há alguns anos atrás) íamos muito para a praia do Porto da Areia.

Às vezes até íamos durante o dia.

Quando lá íamos, à tarde, as hipóteses eram duas: mandar mergulhos para a ponta do molhe, ou então “explorar” o interior daquela grande rocha que está ali à beira da água.

Uma das maneira para entrar nessa rocha é subindo pelo lado Norte. Depois descemos por um buraco lá no alto. Vamos descendo e descendo até darmos lá dentro com uma pedra muito ríspida que corta os pés. Daí temos de saltar para dentro de água. Não é muito alto, mas temos de saltar com muita atenção e sem abrirmos os braços porque as paredes internas são muito estreitas. Quando entramos na água já estamos dentro de uma das “salas” e podemos nadar tranquilamente entre os vários compartimentos daquela pequena gruta.

Só há um problema...
Todos sabem como a água de Peniche pode ser fria.
E todos sabem como a água de Peniche, no Porto da Areia, pode ser fria.
Mas não todos sabem como a água de Peniche, no Porto da Areia, dentro daquela rocha possa ser fria.

Quando se chegava à “pedra-que-corta-os-pés” o maior problema não era o medo de saltar mal e bater nas rochas: o problema era saber que aquela água não é “fria-ao-ponto-de-te-fazer-doer-a-cabeça”; mas é “fria-ao-ponto-de-te-deixar-estéril-para-o-resto-da-vida”.

E aqui vai a façanha: uma vez houve um menino que mergulhou da “pedra-que-corta” para dentro daquela água. Saltou de pés e a água era profunda. Mas o choque foi tão grande e a água era tão gelada que ele conseguiu entrar e sair tão depressa que nem sequer tinha os cabelos molhados quando voltou a subir para a rocha. Foi isso mesmo: mergulhou e saiu tão depressa que nem deu para a água lhe molhar os cabelos...

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