Terapia de choque
A noção de “divertimento” é sem dúvida uma das coisas mais subjectivas do mundo. Há quem se divirta com o macramé; quem prefira aulas de dança latino-americana; depois há aqueles dos cabedais, chicotes e algemas... e até há quem goste dos “Malucos do riso”.
(O Mundo é bonito porque é variado)
O universo sociológico de Peniche também desenvolveu formas de diversão que podemos considerar, no mínimo, curiosas. Hoje apresento-vos essa prática lúdica que é a “terapia de choque para fins recreativos”.
Basicamente, alguém descobriu que nalguns cantos (muito) públicos da nossa bela localidade, bastava o roçar de uma mão para apanhar uma bela descarga eléctrica. Não falo de tocar em fios descobertos ou em caixas de alta tensão, mas sim, encostar-se à parede exterior de uma casa, tocar num sinal de trânsito ou apoiar-se num dos canteiros de flores do centro. E o que fazia quem descobria estas anomalias eléctricas? «Denunciava a situação às entidades responsáveis, nomeadamente à Câmara Municipal de Peniche ou à EDP» respondem os mais ignaros do tecido sociocultural penichêre! Não. Muito pelo contrário...
Divulgavam a situação, sim senhor, mas aos amigos, parentes e conhecidos, para que também eles pudessem disfrutar da possibilidade de apanhar um choquezinho à borla (haverá coisa mais engraçada?). E nestas práticas, tal como no amor, «sozinhos é bom, mas em grupo é muito melhor». Por isso, não foram raras as ocasiões em que se viram alegres grupos de gaiatos e gaitas que, de mãos dadas no centro de Peniche, aguardavam, com um sorriso nos lábios, que o primeiro da fila tocasse o dito ponto para que todo o grupo pudesse provar essa sensação (literalmente) electrizante! No entanto, apesar do canteiro do centro ser o “spot” mais visível, o galardão pela tradição e pela violência da descarga vai dado a uma das primeiras esquinas da Rua Arquitecto Paulino Montês. Nesse local, até tinham desenhado na parede os contornos de uma mão, para que todos soubessem exactamente qual o melhor lugar para apoiar-se e sentir o curioso prurido.
Infelizmente não posso dizer com certeza se hoje em dia ainda é possível apanhar choques nestes sítios ou não. Fica aqui o apelo aos (inúmeros) leitores deste blog para que procurem estes locais (a melhor altura é logo a seguir a uma boa chuvada!) e que tacteiem essas superfícies com as mãos nuinhas. Talvez apanhem um choque. E daí, talvez não. Aguardamos o relato das vossas experiências...

4 Comments:
infelizmente o poste já não está naquele local...
Nem o dito canteiro existe! :(
E o poste perto do Zé da Alice?? Hein
Que levava pontapés para acender e apagar??
Lembram-se?
(por acaso até ja começei a escrever alguma coisa sobre esse poste...)
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