«Uma mão amiga!»
Um dos exercícios mais comuns numa aula de ginástica em que haja um trampolim e um colchão é este:
1º- Correr
2º- Saltar com os pés juntos no trampolim
3º- Abrir as pernas
4º- Fechar as pernas
5º- Aterrar no colchão com os pés juntos
Parece simples não parece? São 5 momentos bem fáceis de compreender na sua lógica e sequencialidade. Para saltar é preciso correr; para fechar é preciso abrir; para aterrar é preciso saltar. É claro, não é? Mas na história de Peniche existe um personagem (e que personagem!) que consegui confundir um pouco esta sequência tão simples e singela. O próprio nome deste indivíduo merecia um post à parte, mas para proteger a identidade do protagonista da façanha vamos usar um heterónimo que preserva totalmente o anonimato do indivíduo em questão. Vamos chamá-lo, “sr. Zequi Zaca”.
Reza a história que o sr. Zequi Zaca não podia vestir uns calçõezinhos e calçar um par de sapatilhas sem que fosse imediatamente arrebatado por descargas inauditas de adrenalina e entusiasmo. Enquanto durava a aula de Educação Física ele não parava de dar tudo por tudo: o homem era correr, saltar e flectir até quando não caísse para o lado, devastado pela dor de burro, ou então, enquanto não tocasse a campainha para o final da lição.
Um dia (há sempre um dia), fazia-se o exercício que apresentámos inicialmente e o pessoal corria, saltava, abria e fechava as pernas, aterrava no colchão. Alguns tinham mais dificuldade, outros menos, e tudo decorria normalmente. Até que chegou a vez do sr. Zequi Zaca! Para ele este não era um simples exercício, mas sim uma espécie de ritual de passagem tribal para a maturidade. Este salto distinguia os miúdos dos homens! E ele ia dar tudo por tudo! Ia correr mais depressa, saltar mais alto e abrir mais as pernas do que qualquer um até àquele momento.
Como um touro que se prepara para colher o Pedrito Portugal, o sr. Zequi Zaca lançou-se na direcção do trampolim (momento nº1!); saltou com toda a força (momento nº2!); abriu as pernas o mais que pode (momento nº3!) e aterrou no colchão (momento nº 5!).
Momento nº5? Mas então... passou do momento nº 3 ao momento nº 5? E o momento nº 4? Esqueceu-se?
Foi mesmo isso que aconteceu. O sr. Zequi Zaca estava tão concentrado em abrir ao máximo as pernas que se esqueceu de um pequeníssimo pormenor: tinha de voltar a fechá-las antes de aterrar no colchão. Podem imaginar o que foi cair desamparado ainda a fazer a espargata! A situação foi tão cómica e inesperada que até o professor ficou sem reacção durante alguns momentos. E como se não bastasse, a ajudar à festa ainda houve o bonito quadro que o sr. Zequi Zaca proporcionou à turma, quando esta se aproximou do local onde agonizava o nosso atleta: deitado no colchão, com uma mão erguida aos céus, jazia atordoado, bradando auxílio desta forma: «Uma mão amiga! Alguém me dê uma mão amiga!».

3 Comments:
Ezequiel Zacarias, uma verdadeira lenda viva! O que será feito desse cromo?
A ultima vez que o vi... para ai há ois meses, ainda tinha o mesmo casaco bordeaux
Seria uma aula do professor Nuno?
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